A Gruta
- A gruta tornara-se então o ambiente que soaria como fosse um pequeno buraco de cupim no meio de um enorme movel antigo cheio de desenhos entalhados na madeira. Àquela hora a parada então parecia o fundo escuro de um funil que mostra-se com seu fundo tampado, ou ainda nem aberto. Aquela porta de bar abandonado, como se fosse um dique escuro, com um interior ainda mais encoberto pelo preto do desconhecido, que mostrava-se abrigar satisfatoriamente algo em situações não convencionais,tornou se “A Gruta” por que havia sido até lá que as cordas da minha mente haviam conseguido me puxar, até a insegurança nostalgica do medo do desconhecido tomar conta do ventriloquo que tinha o controle das minhas cordas mentais tal que, em um momento da jornada que desconheço, e nem imagino quanto tempo havia passado (suponho que não muito) e fez com que a jornada simplesmente parasse por ali mesmo. Já não podia mais andar. Fisicamente sentia a diferença da sua percepção. Achava a gruta de madeira velha o lugar perfeito para poder reconhecer os campos desconhecidos pelo que passava. Sentei-me então na pequena escada de madeira suja e acolhedora e vi que o que passava a exploração comigo compreendera que dali não passariam mais.
Sabe-se-la o que se passava por entre as sobrancelhas do meu compadre nesta hora. Provavelmente estava em um lugar mais confortável que eu, mas me assistia. Mal passava por nosso conjunto de idéias que na porta mais adiante, a festa tinha outro de nossos intimos amigos, que tardiamente poderia ter algo realmente esclarecedor passando-lhe pela cabeça também. Mas as amarras não aprovaram tal acontecimento do destino (talvez sendo esse sempre o verdadeiro destino) e parado-os n’A Gruta”. O lugar era encantador.
Não poderia me lembrar a sequencia de como pareceram as coisas ocorrer. Até por que não havia como pensar em tanta coisa alem do que parecia se passar pela minha quieta e desmontada cabeça que, com prévia advertência, tirava todas as peças do motor da racionalidade do lugar, para quem sabe limpar ou passar óleo. Mas de forma ou outra precisava ser desmontado e, teria em seu lugar aquele novo veículo imaginário estranho que parecia levar consigo. Um grande sapato de palhaço pisando no chão, com a força de um desenho, fazendo sons que assustariam ou fariam uma bela massagem na sua cabeça. Então, nada de conseguir pensar direito, nem lembrar de detalhes óbvios.
Em particular hora qual a segurança da gruta passava por minha cabeça moída e perna bamba, em qual meu querido camarada inutilmente tentava convencer que eu parasse de, talvez passar por um caminho estranho e diferente do dele, e ver as coisas com normalidade. Ir ao proximo bar. Não via ele a infimidade da Gruta em comparação ao abismo que separava o resto das coisas que passavam e aconteciam a em algum momento. Mas podia vê-las. E via muito mais. E mesmo assim não via tudo com tanto foco. Via. Com um enorme foco várias pequenas coisas, e via de alguma outra forma estranha, todo o resto. Em absoluto e não muito. Havia cigarros a ser comprados, e eu sabia disso so não mais como comprá-los. Ou não queria, e nem podia. Carregava sua mochila e nos bolsos seguros de dentro da jaqueta de casca de árvore, trazia pertences de valor, e aquilo já não parecia mais ter relação com o que acontecia. Digo que o que eu fazia era imaginar algum tipo de reza para que tudo, não só nos bolsos, mas assim como aquilo que trazia na mochila, continuassem intáctos. Mas apenas parecia esperar que nada acontecesse. Já não via tanto valor. (VEJA EVENTOS PODEM TER OCORRIDO JUNTOS)
Algo daquelas coisas que acontecem tão de repente e nem parecem que aconteceram, mas até lhe assustam pois voce lembra de ter acontecido e sentido, mesmo assim parece não ver mais vestigios do ocorrido me trouxeram de volta à visão da Gruta. Um estranho ar praiano em pleno frio de maio. Enfiei a mão em um dos meus bolsos e entreguei sabe-se lá qual quantia para meu colega e senti que fechara os olhos novamente. Havia mais alguem lá. Não me recordo quando chegou nem quanto tempo ficou. Quiçá de onde veio. Mas sei para onde foi.
A Gruta trazia uma enorme e claramente falsa sensação de “seguridad”. Ridiculamente falsa, creio eu, agora. Mas parecia-me algo realmente fácil. Excluído de uma maneira diferente em que não se esconde e só se esquece. As máquinas que me faziam funcionar estavam tendo sua esquisita limpeza com um certo produto de embalagem amarela, grande de uns 2,5 litros, e com aparencia velha de dispensa. Algo que limparia perfeitamente absolutamente qualquer motor. Deixaria-o brilhante. E neste buraco em que me sentava aconchegante, com nada mais que nada em minha cabeça, algo poeiríl aparece e tenta juntar-se a nos tres, sendo meu companheiro de viagem, eu e eu. Talvez hávia mais um poeiril, certamente depois haviam, mas na gruta não me recordo. Assim não sobrou na limpeza das engrenagens do meu ser, a lembraça do que aquele ser estranho fazia lá. Mas lá ele fico, assim não sei por quanto tempo. Havia a brecha perfeita para que, apenas uma ida rápida em um estabelecimento do lado para que tivessemos cigarros. E assim foi-se ou foi-se decidido e lá se foi, por um periodo realmente breve, meu companheiro.
A parte das coisas em questão. Como de óde não me venho a lembrar. Mas assim aconteceu que na presença maltrapílha daquele ser esquisito que, aparentava o mal de quem não tinha nada a perder, praticando atos desaprováveis, mas que como não diziam respeito a mim, não influenciou-me. Devo dizer até que, a poeiril presença de tal ser tornou-se confortável. Havia trocado algumas palavras comigo, algo que eu pude lidar bem, e que agora não me lembro ou não vem ao caso dizer. Sensação impar que parecia durar por horas na saida de meu camarada. Não que aquilo me encomodasse. O estranho parecia falar e ouvir as respostas em piloto automárico. Quer dizer, ele escutava sem escutar, eu falava sem falar, ele falava sem falar e eu escutava. Até escutava alguma coisa. Besteiras. O que importava mesmo era que aquela besteira de conhecer outros lugares agora estava sendo posta em pratica, e eu via tudo aquilo. De uma forma diferente, como quando voce ve as cores de uma TV com alguma das suas coisinhas como nitidez ou sabe la desfocadas e as coisas na TV parecem ser bem mais esquisitas que ja são.
Nas cores ainda claras no escuro, da palidez que traziam para A Gruta o brilho e as estrelas das constelações no céu e dos postes de luz e luzes de carros, vi voltar meu amigo com sua caixa de cigarros. Provavelmente dinheiro. Quero dizer, ele guardou algum dinheiro ou me deu para guardar. Nada disso importa. Mas ele havia voltado e, não havia partido há, imagino que nao mais que dois minutos, parecia que se passaram horas de uma conversa esquisita com um dedo no tamanho de uma pessoa, feito da calçada, como se fosse um dedo saindo do sufoco da cidade, cinza, apontando direto para o céu, mas grudado na rua, feito de rua, vivia pela rua. Mas hávia sido uma conversa até agradável, que aconteciam junto com aquela desconstrução das coisas, que é quanto voce realmente vê de que é que as coisas são feitas. De lá se via tudo em sua matéria original. As matérias cosmicas dançando umas com as outras em uma harmonia bizarra, formando aquilo tudo que conhecemos do modo que conhecemos. E de repente aquele instante havia acabado. Nele, tudo. Meu amigo chegara e trouxera consigo a visão de um mundo onde as coisas são apenas feitas e sempre, de um jeito
que eu não saberia descrever, por não saber como funciona.
Incontrolávelmente os tiros de alegria imaginários que saiam imaginariamente do meu sapato de palhaço imaginário e faziam que aquele momento aparte ocorresse na minha cabeça e mostrasse-me tudo havia cessado. - As coisas podiam voltar ao normal. Conseguia ver, se eu quisesse. Não sei se preferi não ver, sei que no fim, não vi. Mas via a parede de frente para A Gruta e para o outro bar também. Em um cruzamento de ruas esquisito e bem real. Do outro lado da rua. Uma pintura na parede de uma caveira com algumas cores e não sei mais o que me lembraram que alí também existia o real centro das atividades daquela região isolada. E que ao nosso lado se encontrava o lugar onde todas as pessoas chegavam e saíam de onde os corredores reais e iluminados bombavam e pulsavam. Não estava lá, mas eu deveria lembrar ao menos que lá existia. Mas aquele estranho sapato de palhaço havia dado-me uma estranha lente. Um óculos que deixavam as coisas bem mais longes. Que me levavam pra um lugar que não posso mais descrever com outro termo senão “A Gruta”. Lá era.
Como ja haviam me dito, quando eu achasse que estava no topo da montanha-russa, eu ainda estaria subindo.
Não sei como dizer de forma diferente que, não me lembro como o Senhor Dedo, formado de resina de rua e restos de pessoas, que foi bastante simpático comigo havia saido, mas lá no meu pequeno e ignorado abrigo estavam outras pessoas além de mim e meu companheiro de viagem. Sei que em algum momento tentamos comunicação com alguem mais ligado ao meu camarada, pois lá era mais os lados dele. E de fato, havia um ser amigo ao comercio ao lado. O dos cigarros, qual eu nem me atrevia a ir. Lembro me de tentarmos falar com ele pelo celular, mas não se ouvia nada além de chiados. Ou algo assim. Sei que ouvi do outro lado do abismo que a comunicação vinha de lá e, de algum jeito, com a falha do telefone, consegui me comunicar por atravez do abismo até o outro lado, para que o ser amigo nos encontrasse. Depois sei que lá estavam dois amigos a mais a fazer sei la o que. De um não me lembro quase nada naquela estranha iluminação da Gruta, do outro lembro so que entendia mais e tentava ajudar, mas não me recordo de nada pois, as voltas que davam minha cabeça eram enormes. Parecia que a pressão deste novo mundo faria minha cabeça explodir. Tremia a perna e fechava os olhos. Participava. Conversava. Gritava por dentro e ria. Não havia como se sentir mal, mas é como se aquele mesmo redemoinho que passa no tal loop da montanha-russa voltasse para a minha cabeça com todas suas peças desmontadas e dispostas sobre a mesa. Analisando com uma lupa cada pequena engrenagem. Só por diversão. Tudo acontecia com uma pressão terrivel que faziam minhas mandíbulas rangerem. Devia ter me preparado mais para a pressão neste planeta estranho. Mesmo assim não medoia, mas me era estranho. Abria o olho, via tudo acontecer de novo. Acontecer de verdade! Em todas as velociadades. Até mesmo na velocidade real. Minhas pernas tremiam enquanto eu fechava os olhos e respirava fundo. Abaixava a cabeça e não sei. Voltava e algo acontecia de novo. Incrivelmente o que acontecia era o seguinte: as mesmascoisas! E assim as coisas repetiam. Nada que eu me lembre, meu companheiro apreciando vários cigarros em sequencia e, eu quem sabe, um ou outro no momento, com todas aquelas coisas, daquele pequeno poleiro que demorei a sair e por lá passei bastante tempo, apreciava o abísmo lindo de cores daquele pôr-do-sol de onde ja havia anoitecido e que aquela cor característica linda de pôr-do-sol acontece a noite inteira, por todas as noites, por causa da luz constante dos postes e daquela estranha constelação que podia ser vista no céu-se-pondo que da terra, ao meu ver aquele amontoado de estrelas, poeiras cósmicas, galáxias, planetas, buracos negros e tudo mais com a minha lente tornava-se multi-colorido, verde e cor de constelação. Que parecia gritar para mim, enfeitando o céu em um formato a escrever com letras bem grandes no céu e formar a palavra “Chrome”.





